A edição de 2026 da Agrishow marca um momento estratégico para a Cummins Brasil, com a estreia no setor de tratores por meio de um projeto desenvolvido em parceria com a XCMG. A iniciativa amplia a atuação da empresa no agronegócio com uma solução desenvolvida no país para o mercado nacional, que integra motorização local e engenharia brasileira aplicada às demandas do campo.
Desenvolvido sobre a plataforma 5E da XCMG, o projeto, ainda conceito, incorpora o cárter estrutural da Cummins integrado ao motor mecânico F4.5, de 80 cv, como parte da arquitetura do equipamento, contribuindo para a robustez e a resistência nas operações.
“Este projeto materializa a atuação da nossa engenharia brasileira no desenvolvimento de soluções alinhadas às demandas do mercado e marca nossa entrada em um segmento estratégico como o de tratores, base da mecanização agrícola no Brasil. Há dois anos, introduzimos o cárter estrutural na plataforma de motores de 4.5 litros e hoje avançamos ao aplicar essa tecnologia em uma nova frente no agronegócio”, afirma Maurício Biadola, diretor de Vendas Off-Highway da Cummins Brasil.
O desenvolvimento do novo trator da XCMG foi conduzido pela engenharia da Cummins no Brasil, em conjunto com o time técnico da montadora. A iniciativa envolveu simulações estruturais e análises virtuais realizadas na sede da Cummins, em Guarulhos (SP), assegurando robustez e a viabilidade técnica da solução.
“A escolha pela Cummins reflete a necessidade de oferecer ao mercado uma solução alinhada à realidade do agronegócio nacional”, afirma Matheus Moreira Ribeiro, gerente de Engenharia da XCMG. “O conjunto formado pelo cárter estrutural e pela motorização mecânica apresenta alta compatibilidade com a plataforma do trator, viabilizando tecnicamente o projeto. Além disso, a mesma base permite diferentes configurações de potência, podendo chegar a 151 cv na versão mecânica e 167 cv na eletrônica, ampliando a flexibilidade da solução”.
A opção pelo motor mecânico reflete uma demanda clara do campo por soluções mais robustas e de fácil manutenção. “Com menor dependência de sistemas eletrônicos, esses motores permitem diagnósticos mais ágeis e intervenções realizadas diretamente na operação, sem necessidade de equipamentos especializados. Na prática, isso se traduz em menor custo de manutenção, maior autonomia para o produtor e mais tempo de máquina disponível no campo”, reforça Ribeiro.
A configuração do projeto também responde a uma demanda relevante do mercado nacional, na faixa de 80 cv, uma das mais representativas do segmento. Vale reforçar que o uso da motorização nacional amplia o potencial de enquadramento do equipamento em linhas de financiamento como o FINAME, viabilizando o acesso a programas governamentais voltados à aquisição de máquinas agrícolas, como o Mais Alimentos, especialmente direcionados à agricultura familiar e aos pequenos produtores.
“Nosso objetivo é oferecer ao cliente uma solução que combina acesso facilitado a financiamento, suporte técnico estruturado e maior disponibilidade do equipamento em operação, com agilidade na reposição de peças e manutenção simplificada”, afirma Juliano Cesar Moreira, analista de Produto da XCMG.
Apresentado na Agrishow como uma máquina conceito, o projeto seguirá para a próxima fase de desenvolvimento, que inclui testes em campo e validação de desempenho em condições reais de operação. A iniciativa abre caminho para futuras aplicações da Cummins no segmento, acompanhando a evolução tecnológica do agronegócio brasileiro.
Início da produção nacional do motor QSF 2.8
Um dos principais destaques da Cummins na Agrishow 2026 é o anúncio do início da produção nacional do motor QSF 2.8, que marca a entrada da Cummins em uma nova faixa de potência no Brasil e amplia sua atuação no segmento de equipamentos agrícolas compactos.
Com potência entre 49 e 74 hp e torque de até 300 Nm, o motor combina alta densidade de potência, dimensões reduzidas e eficiência operacional, atendendo aplicações que exigem robustez e flexibilidade em projetos mais compactos.
O motor estreia no mercado brasileiro com arquitetura de emissões adaptável aos diferentes níveis regulatórios.
Nas aplicações MAR I, opera sem sistemas de pós-tratamento, priorizando simplicidade e robustez. Já preparado para futuros regulamentos, como MAR II ou equivalentes ao Tier 4 Final, pode incorporar soluções como EGR e DOC para redução de emissões, sem a necessidade de sistemas mais complexos, como o uso de Arla 32, nessa configuração.
A produção em Guarulhos (SP) reforça a base industrial da Cummins no País e amplia a integração entre engenharia, manufatura e fabricantes, com desenvolvimento de calibrações específicas para as condições reais de operação no campo.