Máquinas  01/05/2026 | Por: Redação

ABIMAQ

Setor de máquinas e equipamentos têm recuo de 8,6% na receita

Primeiro trimestre de 2026 apresentou desempenho inferior ao do mesmo período do ano passado


A indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou novo recuo na receita em relação a março de 2025. Na margem, porém, houve alta de 4,8% frente ao mês anterior, contribuindo para reduzir o diferencial de desempenho no ano. Em março de 2026, a receita líquida de vendas totalizou R$ 23,8 bilhões. No acumulado do primeiro trimestre, o setor apresentou queda de 8,6% frente ao mesmo período de 2025 e recuo de 13,8% em relação ao último trimestre do ano anterior. A retração reflete, principalmente, a piora nas atividades agrícolas e na indústria de transformação.

No mercado doméstico, a política monetária contracionista segue pressionando negativamente as receitas de vendas de máquinas e equipamentos. Juros elevados encarecem o serviço da dívida, comprometem a renda e inibem os investimentos produtivos. No primeiro trimestre, a receita interna caiu 12,6% frente ao mesmo período de 2025 e 4,8% em relação ao trimestre anterior.

No mercado externo as exportações registram alta de 7,5% em valor (US$) e 8,1% em volume no primeiro trimestre do ano. Ainda assim, a valorização do real (10,1%) anulou esse avanço, levando a uma queda de 5,8% da receita de exportações em reais na comparação interanual.

Exportações

Após crescimento em fevereiro, as exportações de máquinas e equipamentos recuaram 1,2% em março frente ao mês anterior, atingindo nível semelhante ao de março de 2025 (US$ 1,03 bilhão). No ano, as exportações do setor seguem em alta. Na comparação interanual alcançaram crescimento de 7,5%, e nos últimos doze meses de 7,8%.

Parte desse desempenho positivo reflete, no entanto, a base de comparação deprimida do primeiro trimestre de 2025, marcada pela fraqueza da atividade industrial nos Estados Unidos, principal mercado das exportações brasileiras.

Frente ao último trimestre de 2025, a queda foi de 30% ao sair de uma média mensal de US$ 1,4 bi para US$ 1 bi .

Importações

Em março, as importações de máquinas e equipamentos apresentaram forte expansão, tanto na comparação mensal quanto interanual.

O total importado atingiu US$ 3,1 bilhões, o maior valor da série histórica iniciada em 1999. No primeiro trimestre de 2026, houve crescimento de 4,2% na comparação interanual, mas recuo de 1,9% frente ao último trimestre de 2025, refletindo a desaceleração da economia doméstica.

No mês de março, o crescimento de 21,4% foi impulsionado pela expansão das importações de componentes e de máquinas para extração de petróleo.

No acumulado do ano (primeiro trimestre), o crescimento de 4,2% foi explicado pela maior demanda por máquinas rodoviárias e por equipamentos para movimentação e armazenamento de materiais, cujas importações cresceram 20% e 28%, respectivamente.

As importações de máquinas e equipamentos iniciaram 2026 representando 49% do consumo nacional, cerca de 1 p.p. acima do nível observado em 2025 e 3 p.p. acima de 2024. Dados recentes indicam perda contínua de participação da produção local no mercado doméstico.

Consumo aparente

O consumo aparente de máquinas e equipamentos registrou crescimento em março de 2026, mas não foi suficiente para anular a queda acumulada no ano. No primeiro trimestre, a aquisição de máquinas e equipamentos — medida pelo consumo aparente — recuou 11,4%. A retração dos investimentos foi praticamente generalizada entre as atividades econômicas, com exceção do setor de infraestrutura, que registrou estabilidade, e do segmento de bens de consumo, que apresentou crescimento de 3,1%.

Os dados do período indicam que as maiores quedas nosinvestimentos produtivos ocorreram nos setores agrícola e na indústria de transformação

Capacidade instalada e carteira de pedidos

O nível de utilização da capacidade instalada do setor de máquinas e equipamentos registrou crescimento em relação a fevereiro (+1,4 p.p.) e atingiu 79,9% em março de 2026, patamar 2,3 p.p. superior ao observado em março de 2025 (77,6%).

A carteira de pedidos avançou na comparação com fevereiro, alcançando 9,0 semanas, mas permaneceu em nível inferior
ao de 2025 (-1,5%). No acumulado do ano (primeiro trimestre de 2026), a carteira de pedidos ficou 5,2% abaixo da registrada em 2025, sinalizando que as receitas líquidas de vendas tendem a permanecer enfraquecidas ao longo de 2026

Pessoal ocupado

No mês de março, houve aumento de 0,3% no nível de emprego do setor, revertendo parte das demissões ocorridas em fevereiro.
Setores mais sensíveis às elevadas taxas de juros, como o agrícola e a indústria de transformação, mantiveram os investimentos em baixa, o que pressionou negativamente o emprego no setor de máquinas e equipamentos. Por outro lado, a expansão da infraestrutura contribuiu para sua recuperação.

Em março, o setor registrou 416,8 mil colaboradores, o que representa, na comparação com fevereiro de 2026, a reabertura de cerca de 1 mil postos de trabalho dos mais de 2 mil perdidos no mês anterior.