Normalmente, a maioria das montadoras recomenda que a revisão dos veículos seja feita anualmente ou a cada 10 mil quilômetros. No entanto, se o carro for submetido a condições de "uso severo", recomenda-se uma manutenção preventiva mais constante e até antecipar as revisões nos casos mais graves.
Embora não exista um consenso no mercado ou na legislação sobre o termo, a Motul, multinacional francesa especializada em lubrificantes e fluidos de alta tecnologia, traz uma lista de situações que configuram uso severo do veículo não somente segundo seus especialistas, como também algumas das principais montadoras com atuação no Brasil.
"Anda e para”
Algo muito comum para quem dirige nos grandes centros urbanos é o temido congestionamento. Isso porque o "anda e para", sobretudo com apenas as duas primeiras marchas e rotação baixa por longos períodos, pode desgastar os componentes do motor e dos freios rapidamente.
Ambiente desfavorável
Algo que geralmente não depende do motorista é o ambiente em que o carro precisa andar. Um problema clássico está nas estradas de terra, cuja poeira pode acelerar a saturação do filtro de ar. Para quem mora no litoral, a mesma maresia que estraga aparelhos eletrônicos de casa potencializa a corrosão de componentes metálicos do veículo, exigindo uma manutenção preventiva constante. O uso contínuo em altas temperaturas externas também deve ser evitado.
Peso em excesso
Carregar mais do que o carro consegue suportar pode trazer problemas nos componentes e colocar em risco a segurança dos ocupantes. Cada veículo tem uma carga útil informada no manual do proprietário que, se excedida, sobrecarrega e desgasta a suspensão, os pneus, os freios e a embreagem com mais intensidade. O mesmo vale para veículos utilizados para puxar reboques ou carretas com regularidade.
Dirigir demais (ou de menos!)
Um veículo utilizado de forma profissional, como táxis, motoristas de aplicativo e viaturas policiais, por exemplo, é submetido ao estresse durante longos períodos de tempo. Por isso, para garantir a segurança dos ocupantes e o bom funcionamento, é importante verificar com mais frequência o estado dos componentes, principalmente do motor e dos pneus, de carros utilizados durante muitas horas diariamente.
Por outro lado, dirigir menos que o necessário também configura uso severo do carro. Em percursos com menos de oito quilômetros, o motor trabalha abaixo da temperatura ideal, prejudicando a queima de combustível e lubrificante. Trajetos curtos, aliados ao "anda e para" das grandes cidades, envelhecem mais rápido o motor, além de impedir que o alternador carregue a bateria por completo. O “carro de fim de semana”, que fica parado por vários dias, também não é utilizado de forma ideal.
“Quando se pensa em uso severo, pensamos em quem usa o carro para trabalhar, dirigindo muitas horas por dia ou carregando muito peso. Mas dirigir só aos finais de semana, ou só para ir ao mercado perto de casa, por exemplo, também pode reduzir a vida útil do motor e dos componentes do veículo. Nesse caso, recomendamos uma manutenção preventiva mais constante e até antecipar as trocas de óleo e revisões”, explica Rafael Recio, gerente de Produtos da Motul Brasil.