A indústria brasileira de máquinas e equipamentos iniciou 2026 em desaceleração, após encerrar 2025 com crescimento moderado. No acumulado de 12 meses até janeiro, a receita líquida avançou 4,8%, totalizando R$ 296,9 bilhões, enquanto o consumo aparente cresceu 3,5%. Em janeiro de 2026, porém, observou-se queda. A receita líquida total somou R$ 17,3 bilhões, com retração de 17,0% na comparação com janeiro de 2025, puxada pelo recuo tanto nas vendas domésticas (-19%) quanto externas (-10,8%). O consumo aparente atingiu R$ 26,5 bilhões, com queda interanual próxima de 20%, refletindo ambiente de crédito restritivo e uma economia em desaceleração das atividades produtivas.
Pressão estrutural das importações e perda de densidade industrial
As importações mantiveram peso relevante no mercado doméstico. Em 12 meses, somaram US$ 31,9 bilhões, com crescimento de 5,6%. O déficit comercial de máquinas e equipamentos permaneceu elevado, acima de US$ 18 bilhões, evidenciando a forte presença de fornecedores externos e maior pressão competitiva sobre a indústria nacional.
O tema merece destaque por se tratar de avanço estrutural das importações. Em 2025, as compras externas totalizaram US$ 32,2 bilhões, crescimento de 8,2%, superando o recorde anterior, registrado em 2013. O dado revela que o país vem transferindo parcela relevante do dinamismo industrial para o exterior.
A crescente presença da China, responsável por mais de 32% das máquinas importadas pelo Brasil, reflete não apenas competição baseada em escala, mas sobretudo políticas públicas estratégicas, com subsídios baseados em benefícios tributários, acesso a insumos e fatores de produção a custos reduzidos e apoio às exportações, entre outros instrumentos. Esse cenário amplia a necessidade de medidas de curto prazo voltadas ao fortalecimento da competitividade da indústria nacional.
Impacto do cenário externo
As exportações registraram crescimento interanual em janeiro quando medido em dólares, embora tenham recuado frente ao mês anterior. No acumulado de 12 meses, mantiveram variação positiva. O cenário internacional, contudo, permanece desafiador, marcado por desaceleração global e maior fragmentação
comercial.
Para os Estados Unidos também houve queda em relação ao mês de dezembro, mas crescimento em relação ao mesmo mês de 2025. A expectativa é que com a decisão da Suprema Corte dos EUA, que invalidou parcela relevante das tarifas impostas pelos Governo Trump com base da Lei de emergência, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos voltem a ganhar importância naquele país.
Nível de utilização da capacidade instalada e carteira de pedidos
O nível de utilização da capacidade instalada permaneceu próximo de 80% no mês de janeiro de 2025, 5 p.p. acima o nível de 2025, já a carteira média de pedidos ficou ao redor de nove semanas, sugerindo estabilidade no curto prazo, mas indicando risco de maior ociosidade caso o ritmo de novos contratos não se fortaleça.
Perspectivas para 2026
As projeções indicam crescimento de 3,5% na produção física de máquinas e equipamentos e de cerca de 4% na receita líquida em 2026. O avanço deverá ser sustentado principalmente pelo mercado doméstico, com expectativa de expansão da demanda próxima de 5,6%, apoiada por projetos já contratados em infraestrutura e pela continuidade dos investimentos nas atividades extrativistas.
Por outro lado, os investimentos em setores mais dependentes de crédito, como a indústria de transformação, tendem a permanecer pressionados pela política monetária contracionista e pelo elevado nível de endividamento de empresas e famílias.