Agronegócio  09/03/2026 | Por: Redação

Agronegócio

Crescimento do agro brasileiro passa pela biocompetitividade

Realidade agrícola nacional foi discutida no fórum “Integração e Biocompetitividade: A Solução Brasileira”


O agronegócio é uma grande potência verde e o Brasil tem vantagens competitivas únicas: matriz energética diversificada, clima favorável, disponibilidade de água, e enorme biodiversidade. Por isso, o país tem a capacidade de atender as demandas ligadas à segurança alimentar e transição energética. “Temos condições de liderar a bioeconomia, mas precisamos assumir esse protagonismo”, disse Mathias Schelp, vice-presidente para Agricultura Inteligente da Bosch América Latina, na palestra inaugural do Fórum “Integração e Biocompetitividade: A Solução Brasileira”, realizado no dia 2 de março, em São Paulo.

Em sua palestra no evento organizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e pela Rede ILPF (Integração Lavoura Pecuária-Floresta), Schelp detalhou algumas inovações para ampliar a competitividade do agro, como soluções de aplicação para defensivos e a tecnologia dual etanol-diesel para equipamentos pesados, a fim de diminuir o consumo de diesel, ampliando o uso do etanol. “O caminho exige um esforço em conjunto, prioridade estratégica para ampliar práticas sustentáveis, fomentar políticas públicas, aumentar a produtividade e fortalecer todos os elos da cadeia”, explicou. 

Durante o Painel “Alimentos e Bioenergia Integrados”, o moderador Marcos Jank, professor sênior de Agronegócio Global do Insper e coordenador do Centro Insper AgroGlobal, destacou que os sistemas integrados têm um forte embasamento científico e territorial. “A indústria entra com tecnologia, modernidade e escala. O resultado é aumento de produtividade com redução do impacto ambiental”.

Gustavo Spadotti, chefe-geral da Embrapa Territorial, reforçou o protagonismo da ciência nacional no avanço dos sistemas produtivos. “Temos uma ciência brasileira, feita por brasileiros e que hoje é referência para o mundo. Superamos barreiras genéticas na soja, promovemos melhorias genéticas na pecuária e avançamos em produtividade dentro de uma plataforma científica e tecnológica que conecta pesquisa, campo e mercado.” Também destacou o papel da economia circular como eixo estruturante da integração e que não há uma receita de bolo para sistemas integrados.

No debate, Monica Pedó, Sustainability Program Manager da John Deere, destacou que a evolução tecnológica voltada à integração de culturas está no centro da estratégia da companhia. “Estamos integrando conhecimentos agronômicos, digitais e operacionais para promover a evolução das máquinas com mais eficiência e rentabilidade ao produtor.”

Willian Marchió, diretor executivo da Rede ILPF, afirmou que adoção do sistema integrado exige mudança de mentalidade e planejamento técnico. “Fazer a integração não é simples, mas os resultados são extraordinários”. De acordo com ele, o modelo sustentável da Rede ILPF se baseia na intensificação produtiva com diversificação de atividades na mesma área, promovendo recuperação de pastagens, melhoria da fertilidade do solo, aumento do sequestro de carbono, bem-estar animal e maior eficiência no uso de insumos.