Os dados de abril de 2026 mostram que a melhora observada em março teve caráter essencialmente temporário. O consumo aparente de máquinas e equipamentos recuou 20,6% na comparação com abril de 2025, totalizando R$ 27,76 bilhões, devolvendo integralmente a recuperação do mês anterior e aprofundando a retração acumulada no ano para 13,7%.
Mas, para além da intensidade da queda nos investimentos em máquinas, o dado do mês de abril preocupa pela sua abrangência. Diferentemente de março — quando retração nas aquisições de máquinas produzidas localmente foi compensada pelo aumento das importações — abril registrou recuo tanto na aquisição de máquinas nacionais (-26,6%) quanto importadas (-13,5%). Isso indica um enfraquecimento mais disseminado do investimento produtivo e sugere que a atividade produtiva nacional entrou em uma etapa de demanda estruturalmente mais baixa.
Investimento produtivo: desaceleração deixa de ser pontual e ganha caráter mais persistente - A receita líquida de vendas atingiu R$ 21,3 bilhões em abril, com queda de 3,9% frente a março e retração de 14,9% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a abril, a queda chega a 12%, enquanto o indicador em 12 meses passou a registrar recuo de 0,7% — sinal importante de que a desaceleração deixou de estar restrita à margem e passou a contaminar o desempenho agregado do setor.
O principal vetor continua sendo o mercado doméstico e nele a forte retração dos investimentos ligados à agricultura e à indústria de transformação. Esses segmentos concentram atividades mais dependentes de crédito e vem sendo duramente impactados pelo ambiente mais restritivo de crédito e por juros extremamente elevados. Além disso, a persistência da política monetária restritiva vem produzindo efeitos cumulativos sobre a atividade. O problema já não se resume ao encarecimento do capital de giro e investimentos produtivos: há deterioração da capacidade de investimento das empresas, aumento da cautela na tomada de decisão e priorização de liquidez em detrimento da expansão produtiva.
Exportações crescem, mas resultado ainda exige cautela - O desempenho das exportações em abril foi positivo na comparação interanual, com crescimento de 41,7% e embarques de US$ 1,47 bilhão. No acumulado do ano, a alta alcança 17,1%, enquanto nos últimos 12 meses chega a 12,6%. Apesar disso, a leitura qualitativa exige cautela. Parte relevante do avanço decorre de uma base de comparação muito deprimida no início de 2025, especialmente nos Estados Unidos. Na comparação com o último quadrimestre de 2025, houve queda de 20,5%, com a média mensal exportada passando de US$ 1,4 bilhão para US$ 1,1 bilhão no primeiro quadrimestre de 2026.
Além disso, o crescimento de abril foi fortemente influenciado pela entrega de um grande projeto destinado a Singapura, envolvendo fabricantes ligados à infraestrutura e componentes industriais, ou seja, o trata-se de um movimento concentrado. Outro aspecto importante é que a valorização do real — de cerca de 10,8% no período — continua reduzindo o impacto positivo das exportações sobre a receita em moeda local. Assim, mesmo com crescimento em dólares e em volume, o setor segue vendo sua receita em reais pressionada.
Importações e competitividade: participação externa permanece elevada - Em abril, as importações de máquinas e equipamentos apresentaram crescimento em relação ao mesmo mês de 2025, mas recuaram frente ao mês imediatamente anterior, anulando parte da expansão observada em março. As importações somaram US$ 2,6 bilhões em abril de 2026, valor 15,6% inferior ao registrado em março, quando atingiram o maior nível da série histórica iniciada em 1999. Em relação a abril de 2025, houve alta de 1,8%.
No acumulado de janeiro a abril de 2026, as importações cresceram 3,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior, mas recuaram 2,5% frente ao último quadrimestre de 2025, movimento que também reflete a desaceleração da economia doméstica. Em abril, a queda de 15% nas importações refletiu retração quase generalizada nas compras externas de máquinas e equipamentos. O único segmento a registrar expansão no mês foi o de máquinas para construção civil.
As importações de máquinas e equipamentos iniciaram 2026 representando 49% do consumo nacional, participação cerca de 1,5 ponto percentual acima da observada em 2025 e 3,6 pontos percentuais acima de 2024. Os dados recentes indicam perda contínua de participação da produção local no mercado doméstico.
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