Máquinas  06/07/2026 | Por: Redação

Maquinatual

Investimentos em máquinas e equipamentos caem 15% em maio

No acumulado de janeiro a maio, o setor registrou queda na receita de 13,9% em relação ao mesmo período de 2025


Em maio de 2026, os investimentos em máquinas e equipamentos aumentaram em relação a abril, mas permaneceram 19,5% abaixo do resultado registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a maio, a aquisição de máquinas e equipamentos recuou 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho de maio reverteu parte da queda observada em abril e elevou o consumo aparente para R$ 31,1 bilhões. O resultado refletiu a melhora na aquisição de máquinas produzidas no país, que compensou a redução das importações no mês.

Receita líquida de vendas

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou recuo na receita líquida de vendas em maio de 2026. Na comparação com o mês anterior, a queda foi de 1,2%. Em relação a maio de 2025, a retração chegou a 20,4%. No mês, a receita líquida de vendas totalizou R$ 22,5 bilhões. No acumulado de janeiro a maio, o setor registrou queda de 13,9% em relação ao mesmo período de 2025. Nos últimos 12 meses, a retração foi de 4,6%.

O desempenho negativo observado em 2026 reflete o enfraquecimento das atividades domésticas ligadas à agricultura e à indústria de transformação. As exportações, mesmo impactadas negativamente pela valorização do real em relação ao dólar, registraram estabilidade.

No mercado doméstico, a política monetária contracionista continua afetando negativamente os investimentos em máquinas e equipamentos. Os juros elevados aumentam o custo do crédito e do serviço da dívida, comprometem a renda disponível e desestimulam os investimentos produtivos. No acumulado de janeiro a maio, a receita obtida no mercado interno recuou 17,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Nos últimos 12 meses, a queda foi de 7,1% na comparação com os 12 meses imediatamente anteriores. Embora as exportações tenham crescido, em 2026, tanto em
dólares (+14,7%) quanto em volume (+12,1%), a valorização de 11% do real reduziu as receitas convertidas em moeda nacional e limitou o resultado do setor.

Exportações

Após o forte crescimento registrado em abril (+42,7%), as exportações de máquinas e equipamentos recuaram 29,5% em maio de 2026, na comparação com o mês anterior. Em relação a maio de 2025, houve, por outro lado, expansão de 5,5%, com as vendas externas totalizando US$ 1,04 bilhão.
No acumulado de janeiro a maio, as exportações do setor cresceram 14,7% em relação ao mesmo período de 2025. Nos últimos 12 meses, o avanço foi de 13,6%.

Parte desse desempenho positivo, no entanto, decorre da baixa base de comparação do primeiro trimestre de 2025, período marcado pelo enfraquecimento da atividade industrial nos Estados Unidos, principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos.

Importações

Em maio, as importações de máquinas e equipamentos cresceram em relação ao mês anterior, mas recuaram na comparação com o mesmo mês de 2025. As importações somaram US$ 2,65 bilhões em maio de 2026, valor 0,3% superior ao registrado em abril. Em relação a maio de 2025, porém, houve queda de 0,6%. No acumulado de janeiro a maio de 2026, as importações cresceram 2,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Observa-se, no entanto, perda de ritmo ao longo de 2026, movimento associado também à desaceleração da atividade econômica doméstica.

Consumo aparente

O consumo aparente de máquinas e equipamentos cresceu em maio de 2026 na comparação com abril, recuperando parte da queda registrada no mês anterior. Em relação a maio de 2025, porém, houve retração de 19,5%, elevando a queda acumulada no ano para 15,0%. Em maio, a aquisição de máquinas e equipamentos, medida
pelo consumo aparente, totalizou R$ 31,10 bilhões. A retração dos investimentos em 2026 tem sido disseminada entre as atividades econômicas, com as quedas mais intensas concentradas nos setores agrícola e da indústria de transformação. As menores retrações foram observadas nos segmentos ligados à produção de bens de consumo, à logística, à construção civil e aos componentes para bens de capital.

Capacidade instalada e carteira de pedidos

O nível de utilização da capacidade instalada da indústria de máquinas e equipamentos recuou 0,2 ponto percentual em relação a abril, atingindo 78,3% em maio de 2026. O resultado ficou 0,8 ponto percentual abaixo do registrado em maio de 2025, quando o indicador alcançou 79,1%. A carteira de pedidos recuou para 8,2 semanas, nível 10,6% inferior ao observado em maio de 2025. Na média de janeiro a maio de 2026, a carteira de pedidos ficou 6,1% abaixo da registrada no mesmo período de 2025, indicando que a receita líquida de vendas do setor tende a permanecer enfraquecida ao longo do ano.

Empregos

Em maio, o nível de emprego na indústria de máquinas e equipamentos cresceu 0,1%, recuperando parte dos postos de trabalho eliminados em abril de 2026. Entre os diferentes segmentos do setor, os maiores avanços do emprego foram registrados entre os fabricantes de máquinas destinadas à indústria de transformação e de componentes para bens de capital. No mês, o setor contabilizou 415,7 mil pessoas ocupadas, o que representa a criação de pouco mais de 350 postos de trabalho em relação a abril de 2026.